Há bastante tempo quero comentar sobre direitos autorais, assunto que muitas vezes me atormenta. E, essa semana, com as notícias bombásticas do SOPA e do PIPA, decidi publicar esse post.
O autor do SOPA desistiu do projeto, pelo evidente motivo da falta de aceitação do público. Temo que ele volte em silêncio, ou aos poucos, como vem acontecendo. E uma coisa todos puderam perceber: tal atitude colocaria em ameaça a estrutura da Internet.
Mas com SOPA ou sem SOPA, esse assunto sempre gerou e gerará muita discussão e controvérsia. Defendo que é por sua natureza não física. É difícil controlar algo imaterial, como as obras audiovisuais.
A situação é: de um lado, as empresas capitalistas cegas pelo lucro, e, do outro, a população acostumada com a facilidade e gratuidade da Internet, que não vê problema algum em compartilhar uma música. Vamos com calma. Obviamente eu apoio o lado popular da força, mas não deixo de compreender o outro lado.
As empresas precisam obter retorno com seus produtos, e realmente é difícil concorrer com a pirataria virtual, e também as outras formas de pirataria. Mas o que vejo é a falta de vontade dessas empresas de contornar isso, sem sair chutando tudo pelos ares.
São pouquíssimos os sites onde podemos comprar conteúdo legal de forma simples, principalmente aqui no Brasil. Mas admito que o que falta para o sucesso desses sites é a conscientização das pessoas. O pensamento “para que pagar, se eu posso ter de graça?” deve ser revisto. É uma questão de valorizar o trabalho de quem produz – ou alguém ainda é favorável ao trabalho escravo? Perdoem-me a comparação hiperbólica, mas obter uma música sem pagar (e sem autorização, claro) é não pagar alguém que está lhe prestando um serviço, no caso, de entretenimento. Não culpo ninguém que baixa músicas sem pagar, e sim a falta de informações partindo dos principais interessados nisso tudo, que não os detentores dos direitos autorais.
Seria agradável, por exemplo, que as próprias empresas disponibilizassem download de conteúdo com um pagamento rápido e fácil. Se metade do público que baixa arquivos gratuitos fosse incentivada a usar tais serviços (que obviamente incluiriam certas regalias e bônus), já seria uma grande vitória! E digo mais: a facilidade de tais serviços poderia gerar o quase fim da pirataria, tanto virtual quanto a mais antiga (não à do papagaio no ombro, vocês sabem de qual eu estou falando). Por que não? A facilidade de compra e os preços mais baratos certamente atrairiam muita gente.
Além disso, na minha (mais leiga impossível) opinião, outra coisa que poderia reverter um pouco a perda de lucros são as propagandas. Bora trabalhar, galera! Façam propagandas (discretas!) no meio do filme, no meio do videoclipe. Essas sempre dão resultado, seja o material exibido pirata ou o que quer que seja. Eu dou muito valor à propaganda, na minha qualidade de espectador. Admirei a atitude do Youtube ao colocar propagandas em seus vídeos. É uma maneira nobríssima de se obter remuneração.
Essa soa uma solução razoável para as gravadoras, mas eu não estaria satisfeito por um motivo: nós, além de sermos espectadores das obras, podemos precisar usá-las. Podemos precisar usar uma música em um vídeo que fizemos, por exemplo. E aí? Alguém me informa onde eu posso conseguir autorização? Já procurei, e não descobri. (E empresas maiores, como grandes emissoras de TV, parecem poder usar qualquer obra a qualquer momento.)
Agora, por padrão, o que faço é publicar o vídeo e deixar o Youtube se virar. Já que eles têm um detector de músicas, eles vão tomar a atitude mais adequada, podendo colocar anúncios no meu vídeo e mandando o lucro para quem diz respito ou bloqueá-lo para alguns/todos os países.
Como já disse, sou a favor da propaganda, mas muito mais a favor de que nós tenhamos mais liberdade para utilizar o material protegido.
No caso de facilitarem o nosso uso de obras (no Youtube, por ex.), poderia ser algo como todos os usuários virarem parceiros, e os lucros serem divididos de forma justa.
Por mim, claro, as coisas seriam bem mais fáceis do que propus, mas nem todos aceitariam. E quando ouvi sobre a lei que prometia complicar tudo para nós, é claro que passou por mim certa revolta.
Pensei em sugerir nas redes sociais para boicotarmos as empresas de entretenimento por um tempo, mas abandonei a ideia, pensando ser ela complicada e que não haveria repercussão. Logo depois, rolava no Facebook a campanha Março Negro, que propõe que não compremos revistas, jornais, DVDs, livros e ficar sem ir ao cinema e sem baixar filmes e músicas, legal ou ilegalmente, durante todo o mês de março. Achei uma proposta interessante e admirei que muitas pessoas estavam apoiando. Cheguei até a curtir, mas depois refleti que talvez não seja uma boa ideia. Se fizermos isso, com os lucros em baixa, aí sim as empresas vão reivindicar cada direito que possuem, e talvez as coisas piorem para nós. Já que o SOPA foi arquivado, melhor não irmos tão longe, e guardar esse protesto para quando não tiver mais jeito.
Talvez um manifesto mais eficiente fosse comprar mais músicas e filmes do mercado legal. Aí sim elas iam ficar felizes da vida e talvez nos deixar em paz um pouco. Concordo, seria um protesto árduo.
Eu ainda tenho muito para falar sobre esse assunto, então vejo vocês em próxima oportunidade. Vários aspectos não me agradam, e eu vou querer mencioná-los todos. Neste texto, tentei focar sobre os projetos anti-pirataria recentemente disseminados. Mas ainda há muitas partes para se analisar. Hoje o negócio foi com os internautas e com a indústria de música e cinema frente à Internet. Depois, falarei das gravadoras, dos fotógrafos, dos músicos, dos blogs, das emissoras de televisão, de mim mesmo e de outras pessoas comuns, e talvez do sistema em vigor no mundo. Tem muito que eu não consigo concordar.
Quero só acrescentar que o lazer da população é (ou deveria ser) dever do governo. A lei que trata sobre direitos autorais (no Brasil) é de 1998. Hoje, com a Internet, nossas necessidades se tornaram maiores. Talvez fosse hora de facilitar um pouco as coisas.
O autor do SOPA desistiu do projeto, pelo evidente motivo da falta de aceitação do público. Temo que ele volte em silêncio, ou aos poucos, como vem acontecendo. E uma coisa todos puderam perceber: tal atitude colocaria em ameaça a estrutura da Internet.
Mas com SOPA ou sem SOPA, esse assunto sempre gerou e gerará muita discussão e controvérsia. Defendo que é por sua natureza não física. É difícil controlar algo imaterial, como as obras audiovisuais.
A situação é: de um lado, as empresas capitalistas cegas pelo lucro, e, do outro, a população acostumada com a facilidade e gratuidade da Internet, que não vê problema algum em compartilhar uma música. Vamos com calma. Obviamente eu apoio o lado popular da força, mas não deixo de compreender o outro lado.
As empresas precisam obter retorno com seus produtos, e realmente é difícil concorrer com a pirataria virtual, e também as outras formas de pirataria. Mas o que vejo é a falta de vontade dessas empresas de contornar isso, sem sair chutando tudo pelos ares.
São pouquíssimos os sites onde podemos comprar conteúdo legal de forma simples, principalmente aqui no Brasil. Mas admito que o que falta para o sucesso desses sites é a conscientização das pessoas. O pensamento “para que pagar, se eu posso ter de graça?” deve ser revisto. É uma questão de valorizar o trabalho de quem produz – ou alguém ainda é favorável ao trabalho escravo? Perdoem-me a comparação hiperbólica, mas obter uma música sem pagar (e sem autorização, claro) é não pagar alguém que está lhe prestando um serviço, no caso, de entretenimento. Não culpo ninguém que baixa músicas sem pagar, e sim a falta de informações partindo dos principais interessados nisso tudo, que não os detentores dos direitos autorais.
Seria agradável, por exemplo, que as próprias empresas disponibilizassem download de conteúdo com um pagamento rápido e fácil. Se metade do público que baixa arquivos gratuitos fosse incentivada a usar tais serviços (que obviamente incluiriam certas regalias e bônus), já seria uma grande vitória! E digo mais: a facilidade de tais serviços poderia gerar o quase fim da pirataria, tanto virtual quanto a mais antiga (não à do papagaio no ombro, vocês sabem de qual eu estou falando). Por que não? A facilidade de compra e os preços mais baratos certamente atrairiam muita gente.
Além disso, na minha (mais leiga impossível) opinião, outra coisa que poderia reverter um pouco a perda de lucros são as propagandas. Bora trabalhar, galera! Façam propagandas (discretas!) no meio do filme, no meio do videoclipe. Essas sempre dão resultado, seja o material exibido pirata ou o que quer que seja. Eu dou muito valor à propaganda, na minha qualidade de espectador. Admirei a atitude do Youtube ao colocar propagandas em seus vídeos. É uma maneira nobríssima de se obter remuneração.
Essa soa uma solução razoável para as gravadoras, mas eu não estaria satisfeito por um motivo: nós, além de sermos espectadores das obras, podemos precisar usá-las. Podemos precisar usar uma música em um vídeo que fizemos, por exemplo. E aí? Alguém me informa onde eu posso conseguir autorização? Já procurei, e não descobri. (E empresas maiores, como grandes emissoras de TV, parecem poder usar qualquer obra a qualquer momento.)
Agora, por padrão, o que faço é publicar o vídeo e deixar o Youtube se virar. Já que eles têm um detector de músicas, eles vão tomar a atitude mais adequada, podendo colocar anúncios no meu vídeo e mandando o lucro para quem diz respito ou bloqueá-lo para alguns/todos os países.
Como já disse, sou a favor da propaganda, mas muito mais a favor de que nós tenhamos mais liberdade para utilizar o material protegido.
No caso de facilitarem o nosso uso de obras (no Youtube, por ex.), poderia ser algo como todos os usuários virarem parceiros, e os lucros serem divididos de forma justa.
Por mim, claro, as coisas seriam bem mais fáceis do que propus, mas nem todos aceitariam. E quando ouvi sobre a lei que prometia complicar tudo para nós, é claro que passou por mim certa revolta.
Pensei em sugerir nas redes sociais para boicotarmos as empresas de entretenimento por um tempo, mas abandonei a ideia, pensando ser ela complicada e que não haveria repercussão. Logo depois, rolava no Facebook a campanha Março Negro, que propõe que não compremos revistas, jornais, DVDs, livros e ficar sem ir ao cinema e sem baixar filmes e músicas, legal ou ilegalmente, durante todo o mês de março. Achei uma proposta interessante e admirei que muitas pessoas estavam apoiando. Cheguei até a curtir, mas depois refleti que talvez não seja uma boa ideia. Se fizermos isso, com os lucros em baixa, aí sim as empresas vão reivindicar cada direito que possuem, e talvez as coisas piorem para nós. Já que o SOPA foi arquivado, melhor não irmos tão longe, e guardar esse protesto para quando não tiver mais jeito.
Talvez um manifesto mais eficiente fosse comprar mais músicas e filmes do mercado legal. Aí sim elas iam ficar felizes da vida e talvez nos deixar em paz um pouco. Concordo, seria um protesto árduo.
Eu ainda tenho muito para falar sobre esse assunto, então vejo vocês em próxima oportunidade. Vários aspectos não me agradam, e eu vou querer mencioná-los todos. Neste texto, tentei focar sobre os projetos anti-pirataria recentemente disseminados. Mas ainda há muitas partes para se analisar. Hoje o negócio foi com os internautas e com a indústria de música e cinema frente à Internet. Depois, falarei das gravadoras, dos fotógrafos, dos músicos, dos blogs, das emissoras de televisão, de mim mesmo e de outras pessoas comuns, e talvez do sistema em vigor no mundo. Tem muito que eu não consigo concordar.
Quero só acrescentar que o lazer da população é (ou deveria ser) dever do governo. A lei que trata sobre direitos autorais (no Brasil) é de 1998. Hoje, com a Internet, nossas necessidades se tornaram maiores. Talvez fosse hora de facilitar um pouco as coisas.


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